Para essa reviravolta em relação ao uso de álcool
entre os adolescentes, que ocorreu bruscamente de uma geração para outra,
concorreram diversos fatores de risco. O primeiro é que o consumo de bebida
alcoólica é aceito e até estimulado pela sociedade. Pais que entram em pânico
quando descobrem que o filho ou a filha fumou maconha ou tomou um comprimido de
ecstasy numa festa, acham normal que eles bebam porque, afinal, todos bebem.
Sem desprezar os fatores genéticos e emocionais que
influem no consumo da bebida – o álcool reduz o nível de ansiedade e algumas
pessoas estão mais propensas a desenvolver alcoolismo –, a pressão do grupo de
amigos, o sentimento de onipotência próprio da juventude, o custo baixo da
bebida, a falta de controle na oferta e consumo dos produtos que contêm álcool,
a ausência de limites sociais colaboram para que o primeiro contato com a
bebida ocorra cada vez mais cedo.
Não é raro o problema começar em casa, com a
hesitação paterna na hora de permitir ou não que o adolescente faça uso do
álcool ou com o mau exemplo que alguns pais dão vangloriando-se de serem
capazes de beber uma garrafa de uísque ou dez cervejas num final de semana.
Não se pode esquecer de que, em qualquer
quantidade, o álcool é uma substância tóxica e que o metabolismo das pessoas
mais jovens faz com que seus efeitos sejam potencializados. Não se pode
esquecer também de que ele é responsável pelo aumento do número de acidentes e
atos de violência, muitos deles fatais, a que se expõem os usuários.
Proibir apenas que os adolescentes bebam não
adianta. É preciso conversar com eles, expor-lhes a preocupação com sua saúde e
segurança e deixar claro que não há acordo possível quanto ao uso e abuso do álcool,
dentro ou fora de casa.
Postado por Taís Galante, nº 39.

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